quinta-feira, 25 de agosto de 2011

nimrods, capitulo cinco, parte um

Eis que a Morte novamente
bate em meus umbrais
Como nunca antes bateu
Novamente não me levará
novamente não se satisfará
novamente não morrerei
Eu que me levantei
das cinzas
Hoje não queimarei
Sim, ela me olha com fúria única
agita sua fria túnica
Mas passará dos meus umbrais
Assim é, assim foi, assim será
Já vi muitos a te acompanharem
Já vi muitos chegarem
Vi a vida nascer da terra
e a terra nascer da vida

Não, Morte, hoje não irei
Hoje não te contentarei
Tu não sorrirás hoje
Tu me chamas novamente
Tua voz é como o trovão
Mas meu corpo não estremece
Meu espírito se fortalece
Brilha ainda mais a minha luz
Sei de minha vida sem fim
Sei que hoje tu desistes
Sei que retornarás
Sei que tentarás me levar

MAS MEU CANTO DE MORTE,
ESTE, TU MORTE,
        
         JAMAIS
                     JAMAIS
                                 ME OUVIRÁ
                                               ENTOAR
Capítulo Cinco
Fênix

( 1505 a.C.)
Numa pequena aldeia perdida em alguma montanha do nordeste africano, aquele foi um dia de festa, a mais jovem das esposas do chefe esteve sentindo dores pela tarde toda, as mulheres mais experientes já sabiam o que aquilo significava: em breve nasceria mais uma criança. Ovelhas foram sacrificadas e o trigo, ceifado. O deus Sol foi invocado para dar forças à parturiente, à sua irmã, a Lua, foi pedido que afastasse as forças das trevas com sua luz prateada, pois o trabalho de parto se prolongaria pela noite. Todos os homens dançavam ao redor das fogueiras, menos o pai da criança que deveria lhe dar o nome.
Foi como se a vida fosse arrancada de todos, tal o silêncio que se fez quando o chefe saiu de sua cabana, carregando a criança nos braços desajeitados.
— Que os deuses tenham piedade de nós. - Alguém exclamou.
— Isto deve ser obra do demônio - Outro gritou.
Começou uma discussão geral sobre a situação e o tumulto já saia de controle quando o feiticeiro acalmou todos soltando maldições e pragas sobre os revoltados. Assim que todos se acalmaram e lhe encararam com um olhar inquisidor, ele se aproximou do pai e apontou para a recém-nascida:
— Isto é mau agouro para nossa gente.
— Minha família trouxe a desgraça para nós. O que devemos fazer?
— Livrar-me-ei desse demônio antes que traga seus asseclas para nós. Dê-me a criança.
Assim, o feiticeiro levou a menina de pele clara e cabelos cor de fogo para sua cabana, onde eliminou o demônio utilizando-se de magia e instrumentos secretos. Pelo menos, era nisso em que todos acreditavam. Acontece que, duas semanas depois, como acontecia todo mês, passou nas proximidades da aldeia, um mercador das bandas do leste, que trocou a menina por um casal de galinhas.
Seis anos depois, o mercador trocou a ruiva por três mulheres jovens e fortes, com um ricaço estrangeiro, um grego talvez. O homem pareceu se encantar pela menina e nem pechinchou o preço, pagou e levou-a pelo braço até a carroça onde havia mais alguns escravos sentados, estes, por algum motivo, se mantiveram longe da menina.
Com o passar do tempo o grego, que na verdade era cretense, percebeu que aquela criança de cabelos cor de fogo não era comum, aprendia rápido demais e tinha uma autoconfiança que chegava a ser irritante, entretanto, nunca esqueceu a sua posição de escrava. Obedecia a qualquer comando de seu mestre e não questionava os afazeres da casa. Aos doze anos, ganhou a liberdade, mas ficou ao lado de seu ex-dono auxiliando-o em questões caseiras, deixando-o mais livre para os seus negócios
Observando a inteligência e habilidade da garota, Jonel resolveu investir para o futuro; mandou chamar os melhores professores do país para que a garota estudasse com eles, assim quando ficasse velho, poderia se aposentar e ela cuidaria dos empreendimentos. Um dia ao estudar ao a religião egípcia, ela soube da lenda de Fênix e comentou:
— De hoje em diante me chamarei Fênix, este é o nome da minha alma, agora eu sei.
Houve protestos, pois este gesto poderia dificultar a relação de Jonel com os egípcios, mas a menina não retrocedeu à idéia.

Vinte e cinco anos depois, Jonel morreu de um infarto enquanto fazia amor com Fênix, foi enterrado num hall de sua própria casa, com todas as cerimônias possíveis.
Fênix já tinha assumido a frente de seus empreendimentos há anos enquanto Jonel cuidava dos criados e do jardim, assuntos de negócios só lhe eram trazidos quando algum mercador não concordava em negociar com uma mulher, mas estes casos se tornaram cada vez mais raros. Na ocasião do enterro de Jonel houve quem dissesse que sem a reputação de Jonel para lhe segurar, Fênix iria à bancarrota em poucos anos, mas estas vozes foram silenciadas. A mulher duplicou a fortuna pessoal que herdou em seis anos, seu codinome se tornou conhecido por todo o Mediterrâneo, sua frota de barcos só não era maior do que a dos fenícios. Seu estilo de negociação era frio e cruel, se fosse necessário humilhar os negociantes, ela o fazia, se era preciso extorquir, pressionar, assassinar alguém, Fênix não tinha remorsos. Alguns a tratavam pelas costas como “aquela maldita cadela vermelha”. Com o tempo os braços de Fênix alcançaram as terras dos vickings e dos druidas, e até nos confins do Nilo, onde era respeitada e venerada como uma deusa.
No quadragésimo sétimo aniversário de morte de Jonel, quando ia prestar homenagem ao seu primeiro homem, Fênix percebeu uma figura muito alta e magra, com uma trança enorme jogada no lado esquerdo, em frente ao mausoléu construído em cima do túmulo de Jonel.
— Quem és tu, e como chegaste até aqui? Meus guardas deviam tê-lo impedido de entrar em minha propriedade.
— Mesmo que teus guardas pudessem me ver, nada fariam contra mim, Fênix. - O tom de voz do estranho era macio, nem masculina nem feminina
— Não respondeste à minha pergunta.
— Podes me chamar de Zal’irckas[1], e tenho negócios a tratar contigo.
— Entre meus mercadores não há ninguém com este nome, que tipo de negócios tu queres?
— Fênix, tu vives há oitenta e quatro anos e ainda aparentas menos de trinta. Tal como o pássaro do qual tiraste o nome, tu ainda viverás muito e, com minha ajuda, se erguerá das cinzas quando padecer.
A mulher cruzou os braços e ficou pensativa, olhando o túmulo de Jonel. Um pássaro cor de fogo pousou na beira do telhado, e encarou-a, na pequena cabeça os olhos pareciam faiscar, e levantou vôo. Fênix o acompanhou até que desaparecesse no horizonte, acabou ficando de costas para o estranho.
— Tu és um anjo, demônio ou feiticeiro?
— Os três, e ao mesmo tempo nenhum. Sou uma criatura indiferente aos deuses e demônios, e já não sou um homem.
— E o que ficarei devendo a ti se concordar com tua oferta?


[1] Este nome pode ser interpretado como “criatura de poder” ou  “entidade antiga” em português.

nimrods, capitulo

Exatamente às dez horas da noite do dia quinze de Junho, a ambulância saia do  Hospital e Maternidade São José, em Jaraguá do Sul em direção à Joinville, cinqüenta quilômetros distante. Todos no hospital reclamaram da transferência de Hugo Rocha, fosse pelo horário fosse porque ele era um rapaz simpático. O carro deu a volta no centro da cidade e entrou na rua Joinville em direção à BR-101. Como todo mundo, o motorista andava rápido. Logo depois do trevo de Guaramirim, o assistente percebeu alguém deitado no asfalto, ao lado de um furgão enorme; pararam a ambulância e chegaram próximo do corpo.
— Este homem não está ferido.
— Não mesmo. Ele está dormindo, veja. - O assistente sacudiu o corpo no chão e este soltou o gemido típico dos adormecidos.
— Que estranho.
Súbito, um vulto feminino saltou de cima do furgão, deu uma pirueta no ar e caiu  de cócoras no chão. Os dois homens mal haviam se levantado quando a figura moveu um braço, tão rapidamente que mal pôde ser visto, e o motorista sentiu uma forte pontada no ombro direito. Viu que uma espécie de dardo estava encravado através da roupa e caiu desacordado. O assistente só teve tempo de virar-se para fugir e sentiu duas fortes pontadas nas costas, caiu quase morto no asfalto frio. O homem que estava deitado se levantou  e vendo os dois paramédicos desacordados, perguntou desconfiado:
— Você não os matou, ou matou? - A voz tinha um sotaque alemão fortíssimo, língua na qual a mulher respondeu.
— Não há necessidade. Os dois acordarão em duas ou três horas, até lá temos que transferir os principais instrumentos para o nosso veículo.
— Então comecemos.
O homem puxou o motorista  para dentro da ambulância, e o deitou nos bancos, para fazer o mesmo com o assistente, teve que ser ajudado pela mulher, dado o peso do desacordado. Na parte de trás, Hugo soltava alguns gemidos e perguntou com uma voz engrolada:
— Quem está aí? O que está acontecendo?
— Não se preocupe, somos seus amigos.
Fênix abriu a portas traseira do carro e entrou, começou a mexer nos aparelhos e desconectou os tubos de soro e analgésico e puxou o enfermo para fora sozinha, quando a maca bateu no chão Hugo soltou um grito de dor e esbravejou, levou um tapa de sua ex-professora.
— Não temos tempo para sua dor, Gato. Há coisas mais importantes para fazer.
Ela o empurrou até a traseira do furgão e abriu a porta. Era um modelo Chevrolet modificado, tinha pelo menos meio metro a mais no comprimento e uns dez centímetros na largura que os comuns. Aos trancos, Hugo foi posto dentro do veículo. Ele soltou alguns gemidos, mas não ousou protestar novamente. O homem que acompanhava Fênix entrou no furgão carregando alguns aparelhos, conectou-os novamente no corpo do rapaz e saiu, logo voltou carregando os frascos de soro e analgésico.
— Tudo pronto, Fênix. Vamos deixar a ambulância por aí?
— Sim, já perdemos muito tempo aqui.
O homem sentou à direção e o carro arrancou furiosamente. Fênix puxou o banco do passageiro através de trilhos especialmente construídos até ao lado de Hugo e se sentou, puxou uma gaveta num armário e tirou uma pequena seringa, misturou o conteúdo de dois pequenos frascos e injetou a droga no braço do seu pupilo.
— Isto entrará em ação em dez minutos, até lá, terás que disfarçar a dor de alguma maneira. - a voz de Fênix, falando na língua antiga, parecia fazer tremer o furgão. - Agora que estás atingindo a maturidade, acredito é teu direito saber quem somos realmente e porque tenho que levá-lo neste estado lastimável para São Paulo. Antes, porém, deves me contar por que ainda não abriste os presentes que lhe dei.
Hugo estava de olhos fechados, o corpo todo lhe doía, soltava pequenos suspiros de dor e a injeção que sua professora lhe dera estava parecia lhe corroer o braço. Mas esqueceu de tudo quando ouviu o pedido da mulher. Como ela sabia que a mala e a caixinha não tinham sido abertas ainda? Como dizer que ele tivera medo, que esquecera e que não quisera enfrentar as conseqüências? Não que tivesse medo do que pudesse lhe acontecer, mas se sentia inseguro.
— Eu...não tive coragem. Não, estou mentindo. Eu não sei, neste tempo todo, segurei a caixa de anéis centenas ou milhares de vezes, cheguei a abrir o trinco, mas nunca vi o conteúdo. Quanto à mala, ocorreu-me o mesmo.
— Não esperava um comportamento tão inseguro de ti. Pensas que eu te faria algum mal? Isto é tolice.
Fênix abriu um dos armários atrás de si e retirou a mala e a pequena caixa que deixara na cabana em  Algeciras, Hugo espantou-se:
— O que isso está fazendo aqui? Como tu pegaste estas coisas?
— Pedi a teu tio que me deixasse ver o teu quarto e peguei-as.
— Foste em minha casa? O que achaste do meu quarto?
— Percebi que te deixaste contaminar pela vaidade humana, repintando o cômodo, adquirindo uma televisão e vestimentas sofisticadas, mas inúteis. Espero que pelo menos tenha tido sucesso no emprego que teu tio lhe arranjou. Vi  também que lês muito e tens gosto relativamente variado, isto lhe terá utilidade no futuro. Mas, no momento isto não é importante, trouxe os presentes comigo pois tu não voltarás mais à casa de teu tio.
—  Por quê?
— De agora até a hora de minha morte tu ficarás ao meu lado, a segunda etapa de teu treinamento começa a partir do encontro. Lá serás curado de tuas enfermidades e conhecerás os outros nimrods plenos, que lhe avaliarão e, com certeza, te aceitaram na irmandade
— Do que estás falando? Não compreendo.
— Acho que é chegada a hora de esclarecer-te dos fatos, e da verdade sobre mim. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

nimrods, capitulo três parte três


Exatamente às dez horas da noite do dia quinze de Junho, a ambulância saia do  Hospital e Maternidade São José, em Jaraguá do Sul em direção à Joinville, cinqüenta quilômetros distante. Todos no hospital reclamaram da transferência de Hugo Rocha, fosse pelo horário fosse porque ele era um rapaz simpático. O carro deu a volta no centro da cidade e entrou na rua Joinville em direção à BR-101. Como todo mundo, o motorista andava rápido. Logo depois do trevo de Guaramirim, o assistente percebeu alguém deitado no asfalto, ao lado de um furgão enorme; pararam a ambulância e chegaram próximo do corpo.
— Este homem não está ferido.
— Não mesmo. Ele está dormindo, veja. - O assistente sacudiu o corpo no chão e este soltou o gemido típico dos adormecidos.
— Que estranho.
Súbito, um vulto feminino saltou de cima do furgão, deu uma pirueta no ar e caiu  de cócoras no chão. Os dois homens mal haviam se levantado quando a figura moveu um braço, tão rapidamente que mal pôde ser visto, e o motorista sentiu uma forte pontada no ombro direito. Viu que uma espécie de dardo estava encravado através da roupa e caiu desacordado. O assistente só teve tempo de virar-se para fugir e sentiu duas fortes pontadas nas costas, caiu quase morto no asfalto frio. O homem que estava deitado se levantou  e vendo os dois paramédicos desacordados, perguntou desconfiado:
— Você não os matou, ou matou? - A voz tinha um sotaque alemão fortíssimo, língua na qual a mulher respondeu.
— Não há necessidade. Os dois acordarão em duas ou três horas, até lá temos que transferir os principais instrumentos para o nosso veículo.
— Então comecemos.
O homem puxou o motorista  para dentro da ambulância, e o deitou nos bancos, para fazer o mesmo com o assistente, teve que ser ajudado pela mulher, dado o peso do desacordado. Na parte de trás, Hugo soltava alguns gemidos e perguntou com uma voz engrolada:
— Quem está aí? O que está acontecendo?
— Não se preocupe, somos seus amigos.
Fênix abriu a portas traseira do carro e entrou, começou a mexer nos aparelhos e desconectou os tubos de soro e analgésico e puxou o enfermo para fora sozinha, quando a maca bateu no chão Hugo soltou um grito de dor e esbravejou, levou um tapa de sua ex-professora.
— Não temos tempo para sua dor, Gato. Há coisas mais importantes para fazer.
Ela o empurrou até a traseira do furgão e abriu a porta. Era um modelo Chevrolet modificado, tinha pelo menos meio metro a mais no comprimento e uns dez centímetros na largura que os comuns. Aos trancos, Hugo foi posto dentro do veículo. Ele soltou alguns gemidos, mas não ousou protestar novamente. O homem que acompanhava Fênix entrou no furgão carregando alguns aparelhos, conectou-os novamente no corpo do rapaz e saiu, logo voltou carregando os frascos de soro e analgésico.
— Tudo pronto, Fênix. Vamos deixar a ambulância por aí?
— Sim, já perdemos muito tempo aqui.
O homem sentou à direção e o carro arrancou furiosamente. Fênix puxou o banco do passageiro através de trilhos especialmente construídos até ao lado de Hugo e se sentou, puxou uma gaveta num armário e tirou uma pequena seringa, misturou o conteúdo de dois pequenos frascos e injetou a droga no braço do seu pupilo.
— Isto entrará em ação em dez minutos, até lá, terás que disfarçar a dor de alguma maneira. - a voz de Fênix, falando na língua antiga, parecia fazer tremer o furgão. - Agora que estás atingindo a maturidade, acredito é teu direito saber quem somos realmente e porque tenho que levá-lo neste estado lastimável para São Paulo. Antes, porém, deves me contar por que ainda não abriste os presentes que lhe dei.
Hugo estava de olhos fechados, o corpo todo lhe doía, soltava pequenos suspiros de dor e a injeção que sua professora lhe dera estava parecia lhe corroer o braço. Mas esqueceu de tudo quando ouviu o pedido da mulher. Como ela sabia que a mala e a caixinha não tinham sido abertas ainda? Como dizer que ele tivera medo, que esquecera e que não quisera enfrentar as conseqüências? Não que tivesse medo do que pudesse lhe acontecer, mas se sentia inseguro.
— Eu...não tive coragem. Não, estou mentindo. Eu não sei, neste tempo todo, segurei a caixa de anéis centenas ou milhares de vezes, cheguei a abrir o trinco, mas nunca vi o conteúdo. Quanto à mala, ocorreu-me o mesmo.
— Não esperava um comportamento tão inseguro de ti. Pensas que eu te faria algum mal? Isto é tolice.
Fênix abriu um dos armários atrás de si e retirou a mala e a pequena caixa que deixara na cabana em  Algeciras, Hugo espantou-se:
— O que isso está fazendo aqui? Como tu pegaste estas coisas?
— Pedi a teu tio que me deixasse ver o teu quarto e peguei-as.
— Foste em minha casa? O que achaste do meu quarto?
— Percebi que te deixaste contaminar pela vaidade humana, repintando o cômodo, adquirindo uma televisão e vestimentas sofisticadas, mas inúteis. Espero que pelo menos tenha tido sucesso no emprego que teu tio lhe arranjou. Vi  também que lês muito e tens gosto relativamente variado, isto lhe terá utilidade no futuro. Mas, no momento isto não é importante, trouxe os presentes comigo pois tu não voltarás mais à casa de teu tio.
  Por quê?
— De agora até a hora de minha morte tu ficarás ao meu lado, a segunda etapa de teu treinamento começa a partir do encontro. Lá serás curado de tuas enfermidades e conhecerás os outros nimrods plenos, que lhe avaliarão e, com certeza, te aceitaram na irmandade
— Do que estás falando? Não compreendo.
— Acho que é chegada a hora de esclarecer-te dos fatos, e da verdade sobre mim. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Os cinco coelhinhos; história 2

Os cincos coelhinhos: quando a cantora ficou sem voz.
A Cantora tinha feito muito sucesso, cantava várias vezes por semana. O povo fazia a maior algazarra na platéia. Todos ficavam extasiados, maluquinhos mesmo. Todos estavam felizes, principalmente o empresário ganancioso da coelha.
Mas a cantora estava ficando irritada, não comia nem dormia direito. Gritava com qualquer pessoa que chegava perto dela. Num show de sexta feira ela não tinha comido nada o dia inteiro, nem dormira. Estava visivelmente cansada, e quando chegou a hora foi para o palco.
Mas ela não conseguiu cantar! Nenhuma voz saiu de sua garganta! Tentou de novo, e não conseguiu. Bateu um gelo na barriga e Cantora entrou em pânico. Tentou uma última vez, e como a voz não saiu, correu para o camarim.
O empresário ganancioso a empurrou de volta para o palco.
- Não quero saber se está sem voz, a gente põe uma gravação e está tudo bem.
Mas a cantora nunca tinha uma gravação consigo, sempre fizera seus shows na base do improviso e habilidade. Sem forças e com medo, deixou-se levar até o palco, onde ficou como uma estátua.
Não demorou para o público perceber que tinha algo errado, e começar a reclamar. Logo estavam jogando coisas (tomates e alfaces, ninguém sabe de onde).
A Cantora saiu correndo para casa e se jogou embaixo das cobertas. Não queria conversar com ninguém.
Os paparazzi chegaram aos montes na casa dos cinco coelhinhos, o forte e o rápido tentavam espantar os repórteres, sem conseguir.  Até que o esperto soltou umas bombinhas e todo mundo saiu correndo achando que fossem tiros.
Foi chamado tudo quanto foi tipo de médico, de barriga, de dente, de garganta, olho, dos ossos, nada funcionou, a Cantora continuava muda. Então resolveram chamar um doutor da cabeça, um psicólogo.
Então ele teve uma idéia ótima. Mandou a Cantora para um mosteiro onde os monges haviam feito  voto de silêncio. Ela ficaria meses sem falar com ninguém.
E assim foi, ela ficou lá muito tempo, sem falar nada com ninguém. Os monges comiam em silêncio, faziam a limpeza em silêncio, cuidavam da horta e dos animais sem dizer uma palavra. Se comunicavam apenas em  linguagem de sinais, e mesmo quando alguém se machucava, faziam o máximo para não gritar e xingar.
A Cantora  ficou bastante tempo por lá e até esqueceu do mundo lá fora, das músicas, dos compromissos, dos fãs e tudo o mais. Um dia ela chutou uma pedra que servia para segurar a porta  e doeu muito,muito mesmo!
- Ai! Ui! Ai! Ui! Como dói, como dói.
Então ela percebeu que estava falando! Não só falando, como gritando bem alto! Tão alto que estava incomodando os monges.
A Cantora saiu correndo pelos corredores do mosteiro, gritando de alegria. Até a dor no pé ela esqueceu, de tão alegre. Saiu beijando todos no caminho e cantarolando. Os monges pediam para ela ficar em silencio, mas não adiantava nada.
Logo depois ela saiu do mosteiro e voltou à vida de shows, mas agora com amis moderação;cantava apenas três vezes por semana e relaxava bem nos outros dias. Chegou mesmo a fazer um shou para seus amigos do mosterio, que não aplaudiram, mas acenaram com um vigor nunca visto.