sexta-feira, 1 de julho de 2011

Nimrods, capitulo um parte dois

Capítulo 1 parte 2
Ele se levantou lentamente, estava exausto, seu corpo doía em vários lugares. Fênix ainda dormia na cama, tranqüila e nua como estava, nem de longe lembrava a fera incontrolável com a qual tivera que lidar por quase uma semana. Claro, tivera um prazer indiscritível, mas fora assolado por um grande medo em alguns momentos. Pelo menos aprendera que, afinal de contas, Fênix não era uma criatura desprovida de desejos e emoções como fazia todos acreditarem. Ao menos uma vez demonstrara desejo, agora ele sabia que pelo menos um pouco humana ela era.
Se dirigiu ao banheiro, que ficava no fundo da cabana, andava se apoiando no corredor. Escorregou para dentro da banheira, e abriu a torneira. Sentiu a água morna se avolumar ao seu redor.  Adormeceu profundamente. Horas depois, acordou dentro de uma banheira cheia de água gelada. Pulou fora e se enrolou numa toalha, estava inacreditavelmente bem disposto. Reparou que havia folhas escuras grudadas no seu corpo e também dentro da água. Segurou uma delas e a espremeu, um líquido verde e gosmento escorreu pelos seus dedos, tinha um cheiro forte e acre. Seria alguma droga revigoradora, já que se sentia tão bem? Por que Fênix não lhe mostrara isso antes? Depois Hugo percebeu que ela não deveria mesmo lhe ensinar tudo o que sabia, isso talvez levaria a vida toda.
Ao se enxugar, a toalha ficou levemente verde, se olhou no espelho, preocupado. Mas não havia nenhum indício da gosma verde em seu corpo. Jogou a toalha no cesto e foi para o quarto. Queria pedir à Fênix que lhe ensinasse o uso daquelas folhas. Mas ao sair do banheiro, parou estupefato. A cabana estava completamente vazia, todos os móveis tinham sido retirados. O seu primeiro pensamento foi de que haviam roubado a mobília, mas afugentou a idéia imediatamente, Fênix poderia espancar uma dezena de homens se preciso fosse. Percorreu os cômodos da pequena cabana e em todos a situação era a mesma. Até as roupas que usara há uma semana foram levadas. Chegando no quarto, reparou em uma mala e uma bolsa que foram deixadas no lugar da cama, junto com um pequeno pacote onde se lia “Vista isso”. Dentro do pacote havia um par de sapatos, calça e camisa mais um smoking. Debaixo de tudo, um envelope cinza. Hugo vestiu-se e se sentou na mala, abriu o envelope[1]:

         Gato,
Sinto ter que praticamente abandonar-te, pois também não tenho prazer em separar-me de ti. Mas, minha posição em certos círculos me impede de continuar ao teu lado, além de que, como já disse, tu tens que seguir teu próprio caminho.
Dentro da mala estão certos objetos que te auxiliarão em sua experiência no Brasil, mas não a abra ainda, deves examiná-la só em tua casa nova. Considere-a como um presente de formatura meu.
Na bolsa estão sua passagem para o Brasil, algum dinheiro e outras roupas para a viagem, e outros objetos de uso masculino.
Deves ir até Madri, e se apresentar à recepção do Hotel Plaza Madri, onde reservei uma suíte para ti. Peça para retirar um volume do cofre, deixado em seu nome. Deixei lá um outro presente para ti, um objeto que deves usar permanentemente a partir do momento em que tocares nele. Aconselho a chegares à Madri até amanhã à tarde, pois a droga que pus em seu banho perderá o efeito até lá. Chegando ao hotel vá direto para a cama, e descanse o máximo que puderes.
Como podes ver na passagem, saíras de Madri dentro de dois dias, tendo como aeroporto de destino Joinville. Reservei um quarto no Hotel Tanehoff, passarás a noite lá. De manhã, Sara irá levá-lo até a casa de seu tio. As despesas estão todas pagas, então aproveite o favor que estou lhe fazendo. Mas não te esqueças, estarás me devendo tais facilidades.
A partir de agora, Gato, lhe considero como um igual a mim, já que de qualquer forma não és mais meu aluno. Assim, quando tiveres sido entregue aos cuidados de seu tio, não estarei mais olhando por ti, mas não acredites que te esquecerei, dentro de alguns anos irei ter contigo para certificar-me de que aprendeste algo em tua vida solitária e saber quão firmemente teu treinamento ficou enraizado em seu ser.

                                             Adeus,
                                                     Fênix.

Hugo dobrou a carta e a guardou no envelope, abriu a bolsa. Dentro tinha passagens, uma chave de quarto de hotel, perto de dez mil dólares em dinheiro, mais um pente, barbeador, creme de barbear, pares de meia, cuecas, um livro, uma agenda, perfume, outras duas calças e três camisas, uma caixa de preservativos e um relógio de pulso.  O rapaz tirou o relógio da bolsa e o colocou no braço direito. Era um modelo de luxo, folheado a ouro. Num outro compartimento da bolsa, encontrou uma caneta de pena de prata e documentos. Entre eles havia o diploma de um colégio particular, muito conhecido na região onde treinara com Fênix. Hugo, obviamente, sabia que o documento era falso, entretanto, não duvidou de sua autenticidade. Talvez ela tenha feito algum acordo com um dos diretores do colégio. Num histórico anexo, percebeu que fora um aluno bem normal, com notas apenas passáveis.
Sorrindo, calçou os sapatos. Como responderia se alguém lhe perguntasse sobre seus estudos? Claro havia estudado Física, História, Espanhol, Português e Matemática, mas não sabia qual era o esquema de ensino daquele lugar. Imaginou que bastaria dizer “Estudei na Espanha, em tal colégio”, seriam muitos os que gostariam de saber mais? De qualquer maneira, já era tarde demais para pensar nisso. Jogou o envelope com a carta de Fênix dentro da bolsa e saiu da cabana.
Pegou a estrada que descia até a cidade e num determinado ponto, notou que um pássaro o acompanhava, não reconheceu a espécie, mas indubitavelmente era uma ave de rapina. Tinha um vôo elegante e preciso, pousou numa árvore próxima e ficou observando-o, Hugo se aproximou cuidadosamente. Queria examinar melhor o animal; tinha o bico curto e curvado, a cabeça era pequena , as garras fortes e longas e as penas pareciam pequenas escamas de cor fogo e algumas em tons de azul. Súbito o animal pulou em cima dele, sentiu as garras rasparem seu peito e, antes que pudesse reagir já tinha alçado vôo novamente. Hugo passou a mão pelo peito e percebeu pequenos cortes e arranhões, além de que foi-lhe retirado a corrente que trazia ao pescoço desde a morte de seu pai. Teve vontade de jogar uma pedra no pássaro, mas este já estava longe. Deu um soco na árvore e continuou andando, mais desanimado agora, em direção à cidade. Tinha a impressão de ainda estar sendo observado pelo pássaro, uma impressão que não lhe abandonaria até o fim de seus dias.


[1] Como Hugo e sua professora mantinham entre si um idioma próprio e único, entenda-se que a carta escrita por ela foi  “traduzida” para o idioma corrente neste livro (este assunto será abordado novamente num capítulo posterior).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os Cinco coelhinhos

Era uma vez, há muito tempo, uma cidadezinha pequena, muito pequena.
Tão pequena que cabia no coração de uma criança.
Nesta cidade havia uma pequena casa onde moravam cinco irmãos coelhinhos: o Forte, o Rápido, o Esperto, a Linda e a Cantora.
Todos eles dormiam no mesmo quarto, acordavam cedo na mesma hora, tomavam café e iam para a mesma escola no mesmo horário e eram muito felizes.
O Forte era forte mesmo, sempre carregando as malas de todos. O Rápido ia sempre à frente para ver se tinha problemas, como poças de água ou lama. A Cantora e a Linda iam animando todos com sua música e beleza, enquanto o Esperto ia ajudando todos com os deveres de casa.
Um dia, apareceu um lobo na cidadezinha onde os coelhinhos moravam.  Era um lobo grande e feroz, que uivava muito forte durante a noite toda. Todos os coelhos da cidade ficavam com medo e não queriam mais sair de casa.
Até mesmo os cinco coelhinhos, que eram muito corajosos, tinham medo de andar na rua quando escurecia.
Até que o Esperto teve uma idéia, e convidou seus irmãos a participarem de um plano.
Quando a noite caiu, houve uma movimentação nas ruas da cidade, coelhos carregavam caixas e equipamentos. No momento em que o lobo começou a andar pelas ruas uma música tocou no ar. 
No fim da rua, a Cantora e a Linda estavam dançando e cantado. Hipnotizado pela música, o lobo começou a correr na direção das duas. Nisso o Rápido correu com cordas e deu muitas voltas nas pernas do lobo. O Forte se apoiou num poste e puxou as cordas com todas as forças que tinha. O Lobo era muito poderoso, mas finalmente começou a se desequilibrar e caiu com tudo no chão. O Forte estava quase desmaiando de tanto esforço.
O Rápido correu de novo e deu vários nós nas pernas e na boca do lobo, para que ele não se movesse. Nisso o esperto chegou com os bombeiros, polícia, guarda nacional, defesa civil e tudo o mais que poderia ter na cidade.
O lobo foi levado para um zoológico e foi muito bem tratado, pois ele tinha pulgas e sarna, e muita fome. Depois de tratado e cuidado, virou a atração principal do zoológico, com seu uivo forte.

FIM

sábado, 25 de junho de 2011

Nimrods, capitulo um parte um

NIMRODS


POR:
                 Reinaldo Filho

SABE, POSSO MATÁ-LO
SEM TOCAR NUM SÓ
FIO DE CABELO SEU

GENTE COMO EU
PODE FAZER ISSO

“Crepúsculo”
Graphic Novel de
Pasqual Ferry

Capítulo Um
 Despedida

O mar batia ferozmente contra as pedras, dezenas de metros abaixo, o sol começava a cair no oceano, formando um caleidoscópio nas ondas. Mas ele estava alheio a tudo isso, pensativo, sentado numa pedra à beira do penhasco. Sentia apenas o vento do mar agitar-lhe os cabelos. Por que ele estava ali, afinal? Quando formulou a pergunta, percebeu o quanto era tola. Estava ali porque sua tutora assim ordenara. Fora assim nos nove anos anteriores e tão cedo, imaginava, esta situação não mudaria.
Mas a pergunta ainda lhe martelava a cabeça, por que haviam saído de Santander e ido para Algeciras? Tinham atravessado o país, indo de uma vila afastada da cidade para outra igualmente longínqua e não lhe foi dito nada a respeito das razões. Ele estava acostumado a simplesmente receber ordens, mas estava ficando cansado de fazer as coisas sem saber porque.
Hugo fora entregue à mulher quando seu pai estava no leito de  morte, desde então foi educado e treinado em diversas artes marciais, fundindo-as num estilo único, que sua professora chamava de Éx’Kie He, cujo significado mais apropriado seria “Vôo mortal de Fênix”. Durante seu treinamento, houve momentos em que achou que iria desmaiar de cansaço, tal o esforço que era obrigado a fazer. Perdera a conta das vezes em que carregara pesos nas corridas de dezesseis quilômetros. De todo modo, havia valido a pena, seu porte físico era invejável, embora não fosse tão musculoso quanto alguns homens do vilarejo onde morava. Mas isso não lhe importava, sabia que podia derrotar qualquer pessoa num combate corpo a corpo. Agora, beirando os vinte anos, entendia que um bom instrutor  não poderia esmorecer diante do choro de uma criança que não consegue fazer o que lhe foi pedido, agora ele não era mais uma criança e ficava se perguntando por que ainda era tratado como tal.
Súbito, sentiu um golpe no peito. Caiu, e num espasmo corporal, como se fosse uma mola, ficou em pé. Sentiu a mão forte de sua professora segurar seu pescoço. Falou naquele idioma estranho que, aparentemente, só os dois conheciam. Sua voz, quase sussurrada tinha uma força que parecia mover o solo sob seus pés.
— Mandei-te percorrer cinqüenta vezes o perímetro do terreno, Gato, e tu não o fizeste. Se não estivesses de partida para o Brasil, serias bem castigado. - E soltou a mão, cruzando os braços. Hugo tossiu e engasgou, depois perguntou:
— Para o Brasil? Por quê?
— Teu treinamento está terminado, e tu deves caminhar sozinho a partir de agora. Teus parentes já foram avisados e estão preparando tua acolhida em sua casa.- Apontou em direção à cabana no centro do terreno - Vamos entrar.
Ora, isto é muito irritante, pensou Hugo. Ele vivera sob seus olhos tempo demais para ser lançado fora assim. Com certeza não faltara esforço de sua parte para se tornar bom aluno. Sua força rivalizava com a dela, e nos treinos conseguira a façanha de derrubá-la uma vez, embora nesta ocasião ela tenha escorregado na lama. Não, ele não poderia estar sendo rejeitado por ela. Segurou-a pelo braço e, tentando encarar aqueles olhos frios, perguntou:
— Fênix, estás me rejeitando? Não podes fazer isso comigo, tu não encontrarás outro aluno como eu.
Ela o fitou ameaçadoramente, e Hugo soltou o braço, sua força parecia ser sugada por aquele olhar sombrio e homicida.
— Não estou lhe rejeitando, Gato. Tu estás agora no estágio em que uma águia necessita abandonar o ninho, saltar contra o abismo e aprender a voar sozinha, seguindo o seu próprio caminho.
— Então, tu queres dizer ...
— Estou dizendo que não tenho mais nada a te ensinar. Deves ir para junto dos teus e aprenderes a sobreviver no mundo real. - Enquanto falavam, andavam para a cabana que parecia tosca e pequena, pelo lado de fora.
— E não estou no mundo real?
— Apenas em parte dele. Talvez seja fácil se adaptar ao sistema que os homens criaram para si, mas também poderá ser muito difícil.
Esta ultima afirmação de Fênix surpreendeu-o, pois parecia que, pela primeira vez, ela não tinha certeza do que estava falando. De todo modo, nem ela poderia prever o futuro, pensou.
Chegaram na cabana, ele não tinha visto seu interior ainda, ela não deixara. Quando chegaram, mandou-o correr no perímetro do terreno. Ele não dera um passo sequer nesse sentido, estava cansado de receber ordens de Fênix, mas não ousava desafiá-la diretamente. Sabia o quanto isso era perigoso para sua saúde. Já a vira derrubar vários lutadores ao mesmo tempo. Ás vezes acreditava que, como ela mesma dissera uma vez, sua tutora não era totalmente humana, ela deveria ter alguma coisa a mais.
Ela pediu que ele entrasse primeiro e se sentasse à mesa, o jantar já havia sido posto, como sempre havia o suficiente  para bem mais que duas pessoas. Como Hugo já sabia, aquela comida mal daria para os dois, pois como disse um rapaz que os viu comer num restaurante uma vez “dá a impressão que nunca viram comida na sua vida”. Durante o jantar, Ele tentou arrancar mais alguma informação de Fênix, mas não tentou dissuadi-la da idéia de despachá-lo para fora da Espanha, isso seria tentar aplainar o Himalaia.
— Para qual dos meus parentes me indicaste?
— Pedi a teu tio Pedro Rocha que te recolhas em casa e que arranjes um emprego em sua oficina de automóveis. Tenho certeza de que serás bem recebido.
— Onde ele mora? Em São Paulo?
— Deixe de pensar que  o Brasil resume-se à São Paulo e Rio de Janeiro. É um país grande demais e há dezenas de cidades de grande importância. Mas tu vais para uma cidade do interior, em Santa Catarina. Não te preocupes, estarás perto de um bom centro econômico.
— Por quê não vem comigo? Não quero separar-me de ti.
— Já lhe disse que tens que seguir seu próprio caminho, Gato. Não quero dizer-lhe mais uma vez.
E o restante da comida foi engolida sem se ouvir mais nenhuma palavra de ambos. Hugo ficou olhando-a  terminar de comer, ela empurrou o prato e encheu um grande cálice de vinho, como era seu costume e o tomou de um gole, limpou a boca com a costas da mão. Nestes momentos Hugo acreditava que ela poderia ser mais refinada, pois o ensinara a agir de maneira diferente. Infelizmente já comentara isso com ela, e foi respondido com uma voz fria e distante:
— Meus modos são mais antigos e mais verdadeiros que aqueles que aprendeste comigo, tu foste ensinado com os costumes do teu tempo e da região onde viveste até agora. No futuro, aprenderás que tudo isto é indiferente nos nossos meios.
Fênix colocou o cálice no tampo da mesa e olhou diretamente em seus olhos. Havia alguma coisa diferente neles, algo brilhante, faminto. Não por causa do vinho, Hugo já a vira ingerir quantidades imensas da bebida sem lhe surtir efeito algum. Geralmente, aqueles olhos brancos eram como pedras de gelo, duros e impenetráveis, e se acostumara com eles desta maneira. Seria possível que a mulher da qual ele só conhecia o codinome, que o espancou e humilhou por nove anos em troca de conhecimento, uma mulher que nunca se permitiu um sorriso e que, impossivelmente, mantinha uma máscara ao rosto durante todo o tempo em que a conhecera, tinha afinal um coração que choraria pela despedida de um aluno? Mas mesmo naquele momento único, ele percebeu que não era uma emoção nobre que aqueles olhos transmitiam, era algo selvagem, que não podia ser precisado em palavras. O par de olhos brancos parecia brilhar na penumbra da pequena cabana, quando Fênix falou, sua voz era grave e sombria, fazendo Hugo arrepiar-se de frio.
— Não tenho prazer em enviá-lo para seus parentes, contudo é necessário. Tu já aprendeste tudo o que eu tinha para ensinar e já dominas o Éx’Kie He completamente. Com a experiência, talvez derrube até mesmo a mim. Tens sido o meu aluno mais dedicado, e também tiveste o treinamento mais rigoroso. Serás também o último a quem treinarei de forma tão dedicada, já que conseguiste o que ninguém jamais tentou, e com certeza ninguém mais tentará novamente. - Fez uma pausa e deixou de encará-lo por um momento, pela primeira vez, parecia que ela não sabia o que iria fazer ou dizer em seguida. Olhava para baixo quando recomeçou, sua voz já não tinha o timbre sombrio, parecia a voz de alguém desesperado, Hugo pensou que ela acabaria chorando se não falasse. - Maldito seja! Como conseguiste isso? Mantive-me intocável por tais coisas por mais de dois milênios. Como pode ser possível que agora eu esteja te amando?
Hugo estava confuso e aturdido, a mulher de gelo finalmente derretera? Isto não poderia ser verdade, devia ser uma fraqueza momentânea. Na verdade, ele não tinha feito nada para tentar seduzi-la. Talvez seja por isso mesmo  que ela tenha se apaixonado. Não, era tolice pensar assim. Ela era muito bonita, mas aquela máscara e o jeito de ser de Fênix, afastava qualquer possibilidade de algum homem se aproximar dela. Contudo, muitas vezes Hugo se sentia arder de desejo por ela.
Repentinamente, ela se levantou e o agarrou pela camisa, arrastou-o pela cabana em direção ao quarto, Hugo se sacudiu e livrou dela, estava com medo. Ainda não tinham  chegado à porta, Fênix tinha de novo aquele olhar faminto e misterioso.
— Fênix! O que tu tens? Estás louca?
— Tenho desejo! Preciso de ti, e sei que tu tens a mesma necessidade! - Gritou numa voz rouca
— Sim! Mas tu pareces um animal selvagem correndo atrás de uma presa, não posso querer-te desta maneira.
— Não tentes enganar a ti mesmo, Gato. Sei muito bem o que tu queres.
E se atirou sobre ele. Hugo não conseguiu se livrar desta vez, mesmo porque nada tentou neste sentido.