terça-feira, 5 de julho de 2011

Nimrods, capitulo dois parte dois

Hugo olhava fixamente para a pequena caixa que apanhara no cofre do Hotel Plaza Madri, ele ainda não desenvolvera coragem suficiente para abri-la. Tinha o tamanho de uma caixa de anel, mas vindo de Fênix, aquilo poderia ser qualquer coisa. A recomendação de usar o objeto permanentemente incutia-lhe alguns receios, certamente infundados pois sua ex-tutora não lhe faria algo prejudicial.
— Você ainda está vivo, fofinho? Do jeito que está quieto, começo a achar que está morto.
Hugo se virou para ela, e sorriu. Sara era uma mulher simpática, os cabelos loiros balançavam ao vento da estrada. Ela diminuiu a marcha e ficou atrás de um caminhão, que se arrastava pela estrada. Estava usando uma camisa de malha muito justa, que realçava o volume generoso dos seios. O calção de lycra também era justíssimo, podendo-se ver os contornos de sua calcinha. Hugo estranhou a vestimenta da moça, mas não teceu comentários a respeito. Ele guardou a caixa na bolsa e brincou com ela:
— Então vou ficar olhando para você, está bem?
— Mas não fique tão quieto como estava antes, ou vou dormir no volante. Eu tive uma noite terrível.
— Pesadelos?
— Pode-se dizer que sim. Eu tinha um programa marcado para ontem à noite e não pensei que iria demorar tanto. Só deu tempo de tomar banho, pegar a primeira roupa que vi e ir te pegar. Quase não me deixaram entrar no hotel.
— Imagino. Com a roupa que está usando, confesso que até eu tive um certo receio. Mas uma coisa está me incomodando, à que tipo de programa está se referindo?
Sara brecou o carro e o jogou no acostamento. Parecia furiosa, saltou do veículo e deu a volta, abriu a porta do passageiro e puxou Hugo para fora.
— Como assim, que tipo de programa? Acha que sou idiota? - Gritou com toda a força que tinha, Hugo parecia assustado e surpreso - Você me contrata, paga adiantado, dá recomendações e depois não sabe que tipo de programa eu faço? Que tipo de imbecil você é?
Sara o empurrou com força e ele caiu no banco do carro. Ela chutou o pneu e sentou no capô.
— Sara, sinto muito, mas prepararam uma pequena brincadeira para nós. Acredite se quiser, mas não fui eu que a contratei. - Ele se aproximava dela enquanto falava, mas Sara não se movia. - Eu só sabia que você iria me pegar no hotel porque fui avisado disso ainda antes de sair da Espanha. Nem sabia como você era. Fênix deve ter armado tudo, mas não imagino por que.
Sara levantou a cabeça ao escutar o nome da mulher e sua expressão mudou de raiva para uma mistura de espanto e admiração.
— Você conhece Fênix? Como?
— Fui aluno dela até semana passada.
— Maldita seja, já lhe disse que não gosto dessas brincadeiras. Que merda.
— Não creio que tenha sido uma brincadeira, mas um teste, isso pode ser.
— Porra, ela acha que precisa me testar? Sou tão boa como ela, senão melhor.
Hugo pensou em repreendê-la, mas pensou melhor e decidiu não falar nada, pois só conhecera  Fênix e talvez houvesse mesmo a possibilidade de uma outra mulher ser melhor que sua professora em determinados assuntos. Pegou-a pelos ombros e acariciou-lhe os cabelos.
— Isso não importa mais, ela não está aqui para lhe avaliar. Você está muito cansada, e se não dormiu esta noite então é melhor pararmos num hotel para que possa descansar. Eu dirijo e você já pode ir dormindo no banco do carro.
— Está bem.
Hugo se surpreendeu com a quantidade de motéis que havia às margens da estrada, parou num com o aspecto mais saudável e alugou um quarto. Sara se despiu e o beijou com ardor sincero.
— É a primeira vez que vou ganhar pago para só dormir. Obrigada, Hugo.
Mal ela encostou a cabeça no travesseiro, já estava dormindo. Hugo puxou um lençol sobre seu corpo nu e sentou ao seu lado. Achou incrível a naturalidade da moça ao ficar nua na sua frente, mesmo ela sendo uma prostituta. Ela era linda como um anjo, ou como uma escultura grega, tinha uma pele lisa e limpa e o seu rosto tinha linhas perfeitas, os olhos eram grandes e azuis. Imaginou o quanto deveria cobrar por seus serviços, afinal não era qualquer uma que podia comprar uma Mercedes conversível.
Seis horas depois Sara acordou lentamente, ao abrir os olhos reconheceu o rosto de Hugo olhando para ela.
— Achei umas roupas suas no porta-malas do carro, acredito que vão ficar melhor em você que aquelas que estava vestindo antes.
Ela bocejou e arrumou os cabelos, sentiu que Hugo olhava para seus seios mas não os cobriu.
— Acha que tem o direito de escolher a minha roupa por mim? Quem pensa que é?
— Pelos documentos que estavam junto com a roupa, por dezesseis mil dólares você concordou em fazer tudo o que eu mandar por dois dias. Por favor, eu me sentiria mais à vontade se  você se vestir.
Sara ignorou-o e entrou no banheiro. Dane-se que ele não se sentia à vontade. Há pouco nem sabia quem ela era e agora queria tratá-la como uma escrava. Arrependeu-se de tê-lo beijado com sinceridade. Se lhe desse vontade, sairia do quarto nua mesmo e ele que se torcesse ao lado. Pelo menos ele não se aproveitara dela enquanto dormia. Lavou o rosto e terminou de arrumar os cabelos. Saiu do banheiro e empurrou Hugo por cima da cama, deitou por cima dele e arrancou sua camisa.
— Então não se sente à vontade? Veremos como se sente quando eu acabar contigo.

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